A Alemanha deu um passo importante no reconhecimento dos clubes nocturnos como instituições culturais, equiparando-os a teatros, óperas e museus e protegendo-os da pressão imobiliária e da gentrificação que se tem reflectido em cidades como Berlim, Hamburgo e Colónia. Em Maio de 2026, o governo federal aprovou a proposta, mas esta ainda terá de passar pelo Bundestag e pelo Bundesrat antes de se tornar lei. O apoio transversal de vários partidos torna a sua aprovação provável, mas ainda não é certa.
Esta notícia convida à reflexão. No trabalho de mapeamento que o projecto Sonic Paradise tem vindo a desenvolver na Área Metropolitana de Lisboa, os mesmos desafios surgem repetidamente: rendas a subir, clubes a deslocarem-se para as periferias e espaços a fechar. A música electrónica continua a acontecer, mas com cada vez mais dificuldade em encontrar um lugar fixo onde possa decorrer de forma continuada e sustentada, criando e mantendo relações com os territórios e comunidades.
Em Lisboa, como em Berlim, os clubes não são negócios de entretenimento. São espaços de encontro, de criação, de comunidade e de identidade cultural. A diferença é que, em Portugal, isso ainda não tem reconhecimento legal nem protecção efectiva.
A questão não é só onde se dança. É onde se cria e experimenta, quem sustenta esses espaços e durante quanto tempo ainda conseguirá fazê-lo.